Escolheram o papel de parede juntos, compraram o sofá e até as vossas escovas de dentes estão no mesmo copo.

Mas onde está o cantinho que só vos pertence, relata um correspondente do .

A estante com os seus livros, a mesa com o seu passatempo, a cadeira onde lê sem discutir a escolha com ninguém. A ausência de um tal território esbate gradualmente as fronteiras da identidade, transformando o “eu” numa parte sem rosto do “nós”.

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Os psicólogos afirmam que ter um espaço físico e psicológico pessoal é fundamental para a saúde de um indivíduo e, por extensão, de um casal. É um lugar onde se pode estar sozinho consigo mesmo, restaurar recursos e preservar a sua identidade.

Sem ele, corremos o risco de nos dissolvermos na relação, de perdermos o sabor da nossa própria vida e, consequentemente, o interesse pelo nosso parceiro como algo exterior, diferente. Os especialistas em design de interiores para casais recomendam mesmo o planeamento da habitação por zonas: a nossa zona, a minha zona, a vossa zona.

Não se trata de distanciamento, mas sim de respeito. Ao ver o seu parceiro absorvido no seu canto, pode voltar a interessar-se por ele como uma pessoa independente e completa, não como uma extensão de si próprio.

A experiência pessoal de casais de longa duração que conseguiram manter a sua individualidade demonstra a importância desta regra. Saímos do nosso canto enriquecidos e felizes e levamos essa felicidade para o espaço comum.

Desta forma, a intimidade torna-se não uma fusão forçada, mas uma união voluntária e alegre de dois mundos interessantes que têm sempre algo a apresentar um ao outro.

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