Lavou a loiça e já está à espera que o seu parceiro o aprecie.

Reprimiu-se numa discussão e exige interiormente o reconhecimento da sua generosidade, relata um correspondente do .

Esta negociação silenciosa – “Eu faço algo de bom e tu elogias-me por isso” – transforma simples actos de carinho em mercadorias e as relações num campo de reciprocidade. A verdadeira intimidade reside muitas vezes em gestos altruístas que não requerem um pagamento imediato sob a forma de aprovação.

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Os psicólogos explicam este fenómeno pela falta de reconhecimento interno. Se uma pessoa não valoriza os seus próprios esforços, começa a exigir essa valorização do exterior, atribuindo ao seu parceiro o papel de juiz e benfeitor.

Com o tempo, isto esgota-os a ambos: um cansa-se de dar “pontos”, o outro – de viver na expetativa constante da próxima porção de reconhecimento por coisas básicas. Os especialistas aconselham a prática da gratidão interior para consigo próprio.

Antes de esperar um elogio de outra pessoa, pergunte a si próprio: “Fiz isto bem? Valorizo a minha contribuição?”. Ao preencher-se de dentro para fora, deixará de cobrar ao seu parceiro e será finalmente capaz de dar de graça, e as suas acções tornar-se-ão mais leves e sinceras.

A experiência pessoal de muitos casais mostra que abandonar o sistema da “lista de elogios” liberta uma enorme quantidade de energia.

Quando se deixa de calcular emocionalmente quem deve o quê a quem, a relação deixa de ser uma troca e passa a ser um espaço de livre troca, onde a recompensa é a própria intimidade e não uma estrela dourada num diário imaginário.

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