Todas as outras pulseiras de fitness ou aplicações de saúde continuam a acreditar teimosamente que este número redondo é o santo graal da mobilidade.

Mas de onde vem esta crença e não será altura de olhar com mais sobriedade para os seus objectivos, relata um correspondente da .

A história omite que as raízes remontam ao marketing japonês dos anos 60 e ao nome de um dos primeiros pedómetros. Não houve qualquer investigação aprofundada por detrás disso, foi apenas a magia do número redondo que funcionou.

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Os cientistas modernos já há muito que desfizeram este mito, mas ele acabou por se manter incrivelmente tenaz na consciência das massas. Mais recentemente, um grande estudo publicado numa revista conceituada demonstrou benefícios significativos para a saúde de pessoas com mais de 60 anos, com apenas 6 a 8 mil passos por dia.

Para os jovens, o valor ideal foi considerado ligeiramente superior, mas ainda longe dos dez mil absolutos. A principal conclusão é simples: qualquer aumento da mobilidade é melhor do que nenhuma mobilidade.

Perseguir números pode até ser prejudicial, transformando uma atividade saudável em stress diário. Em vez de se esgotar a caminhar pelo apartamento à noite, é melhor concentrar-se na qualidade do movimento.

Um passeio no parque a um ritmo moderado é muito mais benéfico para o seu sistema nervoso e para os seus músculos do que aumentar mecanicamente os números. A experiência pessoal confirma esta ideia.

Quando deixei de entrar em pânico por olhar para o ecrã da minha pulseira depois de um dia de trabalho, a culpa desapareceu. Os especialistas em atividade física aconselham a esquecer completamente os passos no início.

Concentre-se no tempo: 30 minutos de caminhada rápida por dia é um objetivo excelente e cientificamente validado. O seu corpo responderá à regularidade e não a números abstractos num pequeno ecrã.

A chave para o sucesso reside no prazer e na consciencialização. Ouça as suas articulações, preste atenção à sua respiração, repare no que o rodeia.

Caminhar é uma prática antiga não só para o corpo, mas também para a mente, se for abordada sem fanatismo. Compare dois cenários: uma pessoa exausta a andar numa passadeira antes de se deitar e um passeio à noite com um amigo.

A diferença de benefícios seria enorme, embora se pudesse igualar em passos. A primeira opção esgota recursos, a segunda repõe-nos. Por isso, sinta-se à vontade para ajustar os seus monitores aos seus objectivos pessoais com base na sua atividade atual.

Acrescente 10-15% ao seu ritmo normal e isso é um progresso honesto e seguro. A sua saúde agradecer-lhe-á, não por adorar cegamente um número, mas por uma abordagem sensata e sustentável.

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