Perdoou, fez as pazes, mas ainda há algo que estala dentro de si quando se menciona aquela história ou quando ele repete um gesto antigo que já magoou.

O perdão é uma solução, não uma borracha mágica, relata .

Muitas vezes deixa para trás um resíduo subtil, como uma cicatriz que não dói mas que nos faz lembrar de uma ferida antiga quando o tempo muda. Este resíduo é a prova normal de que se é uma pessoa viva, não um santo.

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A sua psique registou o facto da violação dos limites e a sua precaução é um mecanismo de defesa natural. O problema não começa quando a cicatriz está lá, mas quando se toca nela constantemente, não deixando que a relação se desenvolva sobre ela, ou quando o parceiro se comporta como se ela não devesse estar lá de todo.

Os psicólogos falam da importância da fase “pós-perdão”, que muitas pessoas ignoram. É preciso tempo para que a confiança minada pela ofensa seja reconstruída através de acções consistentes.

Se, depois de um sonoro “desculpa”, tudo volta a ser como era, sem qualquer alteração, a ofensa regressa com o dobro da força, porque o perdão foi um ritual vazio e não uma verdadeira renegociação do contrato.

Os especialistas aconselham a rotular honestamente o lodo sem ter vergonha dele. Pode dizer ao seu parceiro: “Perdoei-te e quero seguir em frente, mas às vezes ainda me dói recordar.

Preciso de tempo e do teu apoio para que isto desapareça finalmente”. Essa confissão elimina a necessidade de fingir e cria espaço para a cura em conjunto.

A experiência pessoal de muitos casais é que, por vezes, o resíduo permanece para sempre, tornando-se parte da paisagem da relação. Mas não tem de ser um veneno, pode também ser um sinal de aviso, um farol que vos impede de pisar o mesmo ancinho.

A maturidade da união é testada pela capacidade de viver com este sinal sem o deixar dominar toda a vossa vida em comum.

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